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Susana Krauss

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Vade retro, criancinha...

Assim de quando em vez, rebenta por esta internet fora alguma polémica relacionada com a impertinência das crianças

Ora é um ilustre que reclama do barulho que elas fazem nos restaurantes, ou uma blogger que se incomoda com a areia que elas espalham na praia, ou qualquer outra pessoa que garante que, mal tenha filhos, evitará a sua presença em locais públicos onde possam incomodar terceiros.

Eu tenho uma opinião muito clara quanto a isto. Mas, antes de a apresentar, quero adiantar que, apesar de ter quatro filhos, não acho que todas as crianças sejam maravilhosas. Aliás, nem acho que as minhas o sejam sempre, a bem da verdade. Há crianças chatas, birrentas e tão incomodativas que, de facto, se tornam a pior das companhias – mesmo que a dez metros de distância.


Acontece que o mesmo se aplica aos adultos.

É verdade que, quando vamos a um restaurante com o objetivo de aproveitar um momento de paz, nos apetece tudo menos ouvir a birra da criancinha da mesa ao lado, que se atira para o chão por não gostar da comida. Mas, quando vou jantar fora, incomoda-me igualmente o adulto abusador que, para além de falar tão alto que se ouve em todo o recinto, insiste em atirar o fumo do charuto para cima de mim ou em chupar os caracóis com tal afinco que mais parece estar a fazer uma verdadeira intervenção de salvamento.

Também é verdade que, quando vou à praia e acabo de me estender na toalha impecavelmente esticada e limpa, não gosto quando as crianças passam por mim a correr, enchendo-me de areia que se cola ao meu corpo molhado. Mas irrita-me igualmente aquele adulto que, mesmo num areal vazio, insiste em montar o estaminé a dois centímetros do meu nariz, encaixando o barril de vinho junto aos meus chinelos e colocando em alto som o tijolo com música pimba que, acredita ele, dá outro ambiente à coisa. Isto sem esquecer os casalinhos que, mesmo ao meu lado, tentam recriar o ambiente do filme “Nove Semanas e Meia” ou a mãe que, vendo o filho a correr em direção ao mar, grita histericamente um “Jean Pierre, vien ici ou levas porrada!”.

Isto já para não falar naquelas criancinhas que, no meio do corredor de frescos do supermercado, resolvem gritar como se estivessem a ser depenadas apenas porque a mãezinha não lhes compra um gelado. Mas convenhamos que ainda gosto menos do adulto chico-esperto que me tenta passar à frente na fila da caixa ou que acredita que uma ida ao supermercado é um verdadeiro momento cultural, provocando trânsito nos corredores mais estreitos apenas porque observa cada embalagem de detergente como se estivesse a admirar uma Mona Lisa.

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